quinta-feira, novembro 30, 2006

No fio...


No fio da vida, perguntaste-me qual o significado dos meus olhos tristes…
Fiquei sem saber como responder.
Sabia quase o que queria dizer-te, mas fiquei-me pelo quase…
Fiquei-me pelo sorriso e pelo abraço forte que te dei, cheirei uma vez mais a tua pele quente e deixei-me ficar ali…
Queria dizer-te para não ires, para ficares mais um pouco.
Queria ouvir-te falar, conversas intermináveis sem nexo ou sentido.
Gostava de te ter falado da pessoa fantástica que és e de como os meus dias eram muito melhores só pelo teu sorriso ou pela forma zangada que me recebias quando chegava atrasada.
Dizer-te que és o meu princípio e em ti encerro o meu futuro.
Que me orgulhava por me teres escolhido para amar.
Que o mundo ficaria muito mais pobre se te fosses,
que as coisas deixariam de ter o seu lugar natural,
que és a minha vida.
Gostava de te dizer que não vás nunca, que fiques comigo, que cuides de mim.
Que não tem sentido a vida sem o teu norte, que fico sem direcção se não olhas para mim…
Mas não, deixei-te ir sem te dizer que não eram só os meus olhos que estavam tristes,
era toda a minha existência que ia contigo…
Perdoa a minha fraqueza, a minha falta de convicção quando te abracei e disse que ficaria bem…
Porque se eu tivesse um dia mais que fosse contigo eu ter-te-ia dito que és a minha maior referência e que deixar-te ir não foi um acto de altruísmo, foi um acto de derrota.